domingo, 10 de setembro de 2017



POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PRA TODOS!


Já podeis da Pátria filhos
Ver contente a Mãe gentil...

Sempre gostei da musicalidade do Hino da Independência...

Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil...

Pensando bem, não apenas da sua musicalidade, mas dos seus versos também.

Ah... como seria bom ver contente a Mãe gentil e o horizonte do Brasil!!!
Onde está esse horizonte?

No último dia 7 de setembro, o Brasil completou 195 anos de sua Independência. Em 1822, Dom PedroI às margens do Ipiranga, selou o destino deste país.  O grito de Independência ou Morte veio meio que por acaso, durante a subida da serra da comitiva imperial, depois de muita ressaca e estripulias do Imperador com Domitila, e uma forte dor de barriga. A espada erguida nas mãos de um Príncipe mulherengo, inseguro e imaturo, que contava apenas com a simpatia do povo, simbolizava a separação do Reino do Brasil do Reino de Portugal. Ah.... Portugal e o quinto em impostos cobrado duramente da população... Naquela época o Brasil sobreviveu graças à terceirização do Governo a José Bonifácio e à Imperatriz Maria Leopoldina, mulher do Imperador, austríaca, de forte personalidade, inteligente, culta e bem preparada...

A História do Brasil desde então parece haver caminhado sempre por caminhos tortos...

Foi-se a Monarquia, veio a República, o Governo Militar, sucedido pelo “Império” da atual República, que hoje cobra duramente dois quintos em impostos do que cada um produz, que se esvai em corrupção.

E o horizonte??? Bom... com o passar do tempo foi ficando cada vez mais distante e menos poético. Ao longo de décadas, ele tem sido embaçado por escândalos de pilhagem aos cofres públicos, malas de dinheiro, dólares na cueca, anões do orçamento, empreiteiras, bois, propinodutos, delações, impunidade... uma avalanche de desmandos que na atualidade movimenta as redes sociais, os noticiários e a Polícia Federal.

Talvez, a Polícia Federal e as Operações que ela deflagrou ao longo dos últimos anos, seja o que mais se aproxime do horizonte dos brasileiros hoje.

A população que lotou as ruas de verde-amarelo para pedir o impeachment da pior e mais incompetente Presidente que o país já teve, hoje está lotando as salas dos cinemas. Em cartaz, um filme que é uma catarse, que conversa com as pessoas e vai de encontro a uma realidade que todos querem entender, discutir, modificar.

POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PARA TODOS!

O protagonismo é da Lava Jato, e o enredo gira ao redor daqueles que não desistiram, apesar das dificuldades e do desânimo.

A partir da primeira cena, um silêncio reverencial toma conta da plateia, enquanto os bastidores da maior operação de combate à corrupção no mundo são revelados e o público é arrebatado pra dentro da tela, à medida que a atual história do Brasil se desenvolve. Afinal, também somos personagens nesse roteiro.

O filme primorosamente dirigido por Marcelo Antunes, nos mostra o fio onde tudo começou. Um único fio, que ao ser puxado... fez a República, que abrigava vários Imperadores corruptos, bon vivants, cínicos, mulherengos, cachaceiros, ambiciosos, tremer.
Após dez anos, uma equipe gabaritada e talentosa da Polícia Federal se reencontra em Curitiba. Ivan, interpretado pelo sempre talentoso e envolvente, Antonio Calloni, inspirado no delegado Igor de Paula, que conduz a trama; Beatriz, interpretada por Flávia Alessandra, inspirada na delegada Érika Marena; Júlio César, interpretado pelo excelente Bruce Gomlevsky, inspirado no delegado Márcio Anselmo.

Em meio a pilhas e pilhas de processos inacabados, um é pinçado por um investigador visceral, impetuoso e arrojado: tráfico de drogas e lavagem de dinheiro por meio de um posto de gasolina em Brasília: o fio!!!

Apesar da extensão e ramificações desse fio ser conhecida do grande público, ser notícia obrigatória na net, TV, radio, Roda Viva, mesas redondas, o filme tem o condão de mostrar a história sobre outra perspectiva: a da mão por trás do fio. E é aqui que está o grande mérito da obra.

A cada fala, cada cena, é possível acompanhar o impacto e a incredulidade daqueles poucos que em uma sala, começavam a destrinchar num quadro a intrincada teia de corrupção e de poder envolvendo doleiros, empreiteiras e políticos.

Golpe de sorte??? Não.

Um trabalho de perspicácia, inteligência, estratégia, persistência, tenacidade e, principalmente, de equipe. Não fosse isso, o fio puxado, hoje não passaria de um fio solto, merecedor quiçá de uma nota de rodapé no jornal local sobre a apreensão de uma carga de drogas transportadas em um caminhão, já esquecido.

O Império do crime não contava que em meio ao lamaçal de corrupção nos mais diversos escalões de todas as Instituições, em alguma parte deste país havia uma Instituição ciosa do seu trabalho, não corrompida pelo dinheiro sujo: a Polícia Federal. 

De nada adiantaria, no entanto, a mão puxar o fio, se não houvesse um Juiz capaz de agir e aplicar a lei. Os diagramas da corrupção ficariam restritos à indignação dos agentes e a um mural, inócuo e sem respostas. Foi aí que surgiu outra mão: aquela que segurava a caneta, a do Juiz Sergio Moro, incorporado com correção por Marcelo Serrado.

Ah... o poder por trás de uma caneta!!!

Se a caneta na mão de um político corrupto pode ser pior que a de um assaltante a mão armada; a caneta na mão de um juiz probo tem o poder de tirar a caneta da mão do político corrupto, prender, autorizar escutas, sentenciar, condenar.
O filme nos leva a refletir sobre a importância desse trabalho harmônico e conjunto, sem o qual, as várias fases da Operação Lava Jato não teriam acontecido. Já estamos na Operação Cobra, a 42ª. fase.

Os Imperadores do poder e do crime não acreditaram que a Lava Jato sobreviveria ou teria vida longa, e ela aí está, de 2014 a 2017, sem data para acabar. O filme, no entanto, estende sua narrativa até a condução coercitiva de Lula ao aeroporto de Congonhas e à liberação do áudio entre a conversa nada republicana entre Dilma e Lula, em março de 2016. Ary Fontoura é o intérprete do Lula na fita.

Os personagens que representam empresários, políticos e doleiros, mostram de forma contundente o escárnio, o deboche, o descaso, a empáfia, com que inicialmente a atuação dos agentes da Policia Federal foi vista por esses reis da corrupção. Erraram ao apostar que envelopes com dinheiro ou amigos poderosos os livrariam do cárcere.

À medida que as cenas se sucedem, sutilmente, o filme mostra o choque daqueles, que presos, começam a ver gente graúda dividindo o mesmo espaço que eles. É aí que se dá o insight, quando os mais espertos começam a perceber que “uma carteirada”, ou um “- Vocês não tem ideia com quem estão se metendo!”, não seriam suficientes para intimidar e tirá-los da prisão, porque a lei é igual para todos. O rei estava nu. Não à toa, nesse instante, a plateia quebra o silencio reverencial e ri com satisfação. Momento catártico para quem tem o gostinho de ver, e assim imaginar e saborear, empreiteiros, políticos, doleiros, serem retirados do espetacular conforto de suas casas erguidas e mantidas com o dinheiro roubado, para serem colocados em celas ínfimas uns ao lado dos outros, onde o sinal de status e conforto é um travesseiro e colchão decentes. Imagens impagáveis!!!

Acertou quem apostou que as delações seriam apenas uma questão de tempo...

E elas aconteceram.
Ansiando reduzir a pena em caso de condenação, alguns resolveram cooperar com a Justiça, confessando seus crimes e apresentando provas e documentos, porém... com uma desfaçatez de causar ânsia ainda hoje, inclusive, ao ver as cenas repetidas no filme.

Apesar do roteiro ser uma narrativa dos acontecimentos envolvendo a Lava Jato e as ações policiais, ao mostrar em uma das últimas cenas o Juiz Sergio Moro sendo ovacionado por pessoas comuns agitando bandeiras verde-amarelas quando seu carro se aproxima do Fórum, é feito um link entre a Operação Lava Jato e os brasileiros. De fato, não apenas somos sugados pra dentro da tela, fazemos parte dela.
  
Não é por acaso que o público permanece sentado até o final dos créditos, com aquele gostinho de quero mais, enquanto imagens do filme e da realidade se alternam e as luzes da sala do cinema se acendem, e para surpresa geral, uma inédita cena faz menção a um novo caso de corrupção antes que a tela se apague... o gancho para uma provável continuação. Pois que venha a POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PARA TODOS II!!!


A Operação Lava Jato de Curitiba hoje é um Símbolo Nacional, tal qual, a Bandeira e o Hino Nacional, tendo atravessado as fronteiras e o oceano. Ela não apenas revelou a corrupção nos meandros do poder ao Brasil e ao mundo, mas despertou nos brasileiros o espírito de cidadania, a importância do voto, levou a política aos lares, escolas, universidades... ruas; fomentou a gana por Justiça, a união entre os brasileiros, o anseio por um país melhor e menos corrupto. O filme veio prestar um tributo a isso. Estão de parabéns todos os envolvidos, inclusive os atores que aceitaram participar do filme, pela coragem de se jogarem num projeto que retrata um momento tão delicado e emblemático do país. Parabéns também aos personagens reais!!!

Brava gente brasileira!


De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Rui Barbosa)



A homenagem que os brasileiros prestaram à Polícia Federal no último 7 de Setembro (07/09/2017):



 Orgulho define!!!



Levantamento dos resultados da Operação Lava Jato em 31 de agosto de 2017:

Desde o começo da operação, por exemplo, houve 158 acordos de colaboração premiada firmados com pessoas físicas e 10 acordos de leniência. As 165 condenações aplicadas a 107 réus somam 1.634 anos, sete meses e 25 dias de pena. Já foram contabilizadas oito acusações de improbidade administrativa contra 50 pessoas físicas, 16 empresas e um partido político, exigindo o pagamento de R$ 14,5 bilhões. O valor total do ressarcimento, multas incluídas, é de R$ 38,1 bilhões.




Shadow/Mariasun Montañés


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quarta-feira, 12 de julho de 2017



OLHO POR OLHO E ACABAREMOS CEGOS



“O crime não é somente uma abstrata noção jurídica, mas um fato do mundo sensível, e o criminoso não é um modelo de fábrica, mas um trecho flagrante da humanidade.” (Nelson Hungria)


“Cortem-lhe a cabeça!!!”...
O homem mais detestado pelo Procurador Geral da República e o Grupo Globo, neste momento, é o Presidente da República,
Michel Temer.

Advogado de prestígio, professor de Direito Constitucional na PUC de São Paulo, com livros publicados na área do Direito, Temer filiou-se ao PMDB e optou por seguir a carreira política. Já se vão vinte e cinco anos de atuação parlamentar, sendo respeitado e reconhecido por seus pares como ótimo articulador e mediador político. Chegou à Presidência da República por ser vice da pior Presidente que o país já teve, não por acaso acabou sofrendo o impeachment.

Hoje, ele se encontra denunciado pelo Procurador Geral por crime de corrupção. A denúncia foi recebida pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados e está para ser apreciada pelo Plenário. Tem pela frente grandes desafios, que prometem mantê-lo no purgatório até o último dia do seu mandato, que poderá ser abreviado ou finalizado em 2018, com o fim do mandato tampão.

Rodrigo Janot, não pode arrancá-lo do Palácio do Planalto, como gostaria, porque ele é o Presidente da República e a ordem jurídica não permite que se faça Justiça com as próprias mãos. Mas, a partir do momento, que o nome de Temer entrou para a lista negra do Procurador, uma caçada sem trégua teve início. Em nome da Operação Lava Jato, tão bem conduzida pela Força Tarefa do Paraná, e desvirtuando-a, Janot tudo fez faz e fará para denegrir-lhe a imagem e perseguir os homens que o cercam, recorrendo a métodos espúrios, pouco ortodoxos e obscuros para derrubá-lo do cargo.

“Cortem-lhe a cabeça!!!”, repete o Procurador insistentemente e já o condenando, atribuindo para si o superpoder de denunciar, julgar, condenar e executar.  Sim, Rodrigo Janot, na qualidade de verdugo, elevou a Procuradoria Geral da República a outro patamar, ao quarto poder do Estado. Um poder que está acima de todos os demais poderes, inclusive do Judiciário, investindo o seu titular do poder supremo de negociar com a criminalidade e cortar cabeças em rito sumário, no melhor estilo de Talião.

Só que a história não para aí.

Outra força, um quinto poder, a imprensa, o Grupo Globo, há dois meses vem obstinada e irresponsavelmente tentando derrubar o Presidente, sem se preocupar com as consequências nefastas que isso possa ter para o país.“Cortem-lhe a cabeça” é a mensagem subliminar na sua linha editorial, para nos fazer crer que os dias serão assim.

O país está ferido, tentando sobreviver aos escândalos de corrupção que proliferaram nos governos petistas e indignaram os brasileiros. Não é difícil, portanto, fomentar o ódio contra a classe política para substituir a Constituição pela Lei de Talião.

“Olho por olho” é o que pretendem semear.

Há meses os brasileiros aguardam a condenação do maior ladrão da História deste país: Luís Inácio Lula da Silva. E enquanto esperam, veem o Supremo Tribunal Federal conceder liberdade a José Dirceu e, outros tantos, serem colocados em prisão domiciliar, com o uso de tornozeleiras. Muita indulgência para aqueles que tanto roubaram.

Assim é que diante da Justiça que não vem, surge na população o desejo de justiçamento.

“Cortem-lhe a cabeça”, ouvem-se algumas vozes repetir em coro, referindo-se ao Presidente da República. Resultado do ódio fomentado e direcionado a Michel Temer pela mídia, da delação oportunista dos irmãos Batista, do espírito de vingança de Rodrigo Janot, que vai ao encontro da vontade implacável dos brasileiros de que alguém seja castigado e punido pela corrupção endêmica que está devastando o país, pela recessão, pelo elevado desemprego, pelo endividamento, pela raiva e pela perda da esperança.

“Caça e morte aos corruptos”! Linchamento público é a palavra de ordem! Instigue-se, portanto, as pessoas a ocuparem as ruas, para pressionar e forçar a renúncia do Presidente!

Ué... mas as ruas estão vazias!!! Onde estão aqueles que coloriram o país pedindo o impeachment de Dilma Rousseff???

As pessoas com maior ou menor clareza entendem que o momento é outro.

Michel Temer cometeu alguns delitos, que os petistas não perdoam: estancou privilégios, demitiu 20 mil comissionados, cortou a sangria de dinheiro público do BNDES e da Petrobras, pôs fim às verbas de jornalistas e blogs de aluguel, enxugou abusos da Lei Rouanet, propôs Reformas que afetam benefícios e mordomias da classe política, sindicatos e do Judiciário. Tudo à vista de uma estrutura corrompida e corroída pela política do toma lá, dá cá.

Diante disso e da forma como a sua cabeça está sendo oferecida, as pessoas bem ou mal, entendem que Temer está sendo vítima de uma trama de bastidor bem urdida, usando inclusive a credibilidade da Lava Jato, que conta com o apoio incondicional da população, para derrubar o Presidente da República, nivelar a todos por igual em matéria de corrupção, poupando assim o Chefe e membros da facção criminosa petista, que levaram o país ao caos.

Por outro lado, o povo na mesa do bar, no escritório, na pracinha, na reunião de condomínio, nas escolas, nas redes sociais, questiona o fato do Lula e os principais líderes do PT estarem impunes e livres após comprovadamente haverem destruído a maior empresa estatal do país, terem arrombado e saqueado os cofres públicos, se associado a empresários venais transformados em “campeões nacionais", que hoje são anistiados por todos os crimes, e escoado dinheiro do BNDES para fortalecer ditaduras sanguinárias da América Latina e África.

Os brasileiros nesse impasse do “olho por olho”, “dente por dente”, questionam o que acontecerá ao país após a possível queda de Michel Temer?; Quem irá sucedê-lo?;  Quem serão os beneficiados?

As mentes binárias (sim/não; fora/fica) podem resistir a compreender, mas as mentes pensantes entendem que um país não é um tubo de ensaio, onde a fórmula não deu certo, joga-se fora. Um país necessita de estabilidade, de investimentos, de empresários, empregos, economia em crescimento. Não pode ficar à mercê de vendetas e humores de alguns, na incerteza de quem será o Presidente amanhã.

Michel Temer sempre poderá responder por seus crimes, se forem provados. Mas, agora deve permanecer no cargo. Até mesmo porque não há nada substancial ou contundente contra o Presidente, a maior autoridade do país. O que há são fatos narrados em uma delação obscura e nebulosa, acompanhada de áudios ilícitos, clandestinos, com falas induzidas pelo interlocutor e com várias interrupções.

Muito pouco para empurrar o país ladeira abaixo, ainda mais, sabendo-se que o seu sucessor será Rodrigo Maia, e as articulações apontam que o vice será Aldo Rebelo e, em seu lugar, Leonardo Picciani assumiria a Presidência da Câmara dos Deputados. Que maravilha!!!

Diante desse quadro, as consequências não poderiam ser mais nefastas: fortalece-se o discurso do “golpe”; Lula cresce e, se condenado pagará de vítima e perseguido político; a esquerdalha voltará a ocupar espaços, assumindo cargos na administração, como já vem barganhando com Rodrigo Maia.

O país caminhará rapidamente para uma venezuelização e aqueles que deveriam responder por seus crimes, sairão ilesos e reconduzidos ao poder. A invasão do Plenário do Senado, ontem (11/07), para obstrução de pauta pela bancada da marmita, ilustra o descaso dessa gente com as Instituições, a Democracia e o país.

Não há santos na política, isso todos sabem. Mas, é cada vez maior o entendimento de que enriquecimento ilícito é muito diferente a pertencer a uma quadrilha criminosa para perpetuar-se no poder. É preciso que se faça essa distinção.

A “caça aos políticos”, a Justiça do “olho por olho” para justificar e derrubar Michel Temer da Presidência, poderá deixar a todos cegos... É chegada a hora de desfolhar os olhos nesse escuro véu...





Ai, Coração alado
Desfolharei meus olhos
Nesse escuro véu...

Shadow/Mariasun Montañés



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domingo, 21 de maio de 2017







O BRASIL PÓS DELAÇÃO DA JBS



Na semana passada disse que a sensação era a de ver o Apocalipse se aproximando... nesta semana, sinto dizer, ele chegou... Tudo sempre piora por aqui, neste instante não sei o que pode ser pior que o Apocalipse... talvez o Inferno... Ao ritmo que as coisas caminham no Brasil... chegaremos lá.

Não há dia ou semana que nos aquiete. Vivemos aos sobressaltos, solavancos e espanto diante das notícias que chegam de Brasília. Deve haver uma espécie de maldição por lá. Todos os que chegam à Praça dos Três Poderes sofrem uma metamorfose assustadora, direcionando o poder que detêm para a ganância, interesses pessoais, corrupção e luxúria. Se há um inferno na terra, o endereço é a capital do país.

Os Três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, com suas decisões e ações, por vezes, nos remetem aos três cavaleiros do Apocalipse: guerra, fome e morte. Executivo, o cavaleiro vermelho da guerra, o sangue do povo derramado no campo de batalha, em busca de melhores condições de vida, saúde, educação, emprego. Legislativo, o cavaleiro preto da fome, a escuridão dos conchavos obscuros feitos na calada da noite, relegando o povo à penúria diante de acordos espúrios. Judiciário, o cavaleiro amarelo da morte, o cadáver que se decompõe a cada omissão, decisão que tarda e por vezes falha, que dá a palavra final e nem sempre aplica a lei de forma igual para todos...

Opa!!! Mas os cavaleiros são quatro!!!

Verdade. Há o cavaleiro branco, o caos. Segundo as Escrituras, o mais seguido e não menos perigoso. Símbolo da falsa inocência e da paz disfarçada. Este seria a Imprensa, que se alimenta das trevas e do sensacionalismo irresponsável, para manter cativo o diabo e a audiência.

Conforme os acontecimentos se sucedem e as investigações da Lava Jato avançam, mais se evidencia como foi que chegamos à amarga estatística de 14 milhões de desempregados, à recessão, ao elevado custo de vida, à falência dos serviços públicos, ao endividamento, à excessiva carga tributária, às manifestações de rua, ao impeachment, à agonia crescente, ao desamparo e... à desesperança.

À medida que nos aproximamos dos Três Poderes da República, tudo se torna um conto de horror, uma tragédia, revelando o lado obscuro e nefasto do poder. Somos protagonistas da nossa House of Cards tupiniquim, que há muito tem mostrado um roteiro superior e mais criativo que a série original. Não tem concorrência por aqui, não. Em matéria de suspense e sordidez na política somos insuperáveis, viu Netflix!!!

Nesta semana, quarta-feira à noite, o Plantão de Notícias da Rede Globo nos surpreendeu. Em tom grave a jornalista relatava áudios que fariam a República ruir, nos quais o Presidente Michel Temer estaria conspirando contra as investigações da Lava Jato, comprando o silêncio de Eduardo Cunha por R$ 500 mil. Ele de novo: Eduardo Cunha. Mesmo preso este homem continua sendo notícia, articulando favores, recebendo propina, determinando os rumos do país. É um fenômeno!!!

Sem tardar, partidos de esquerda protocolaram pedidos de impeachment contra o Presidente no STF. As redes sociais implodiram pedindo a sua renúncia. E... o PT, CUT e afins, com suas bandeiras cor de sangue, passaram a clamar por “diretas já”.

Foi possível sentir as chamas do inferno ardendo...

Fui dormir na certeza de que a noite entre um dia e o outro, sempre ajuda a clarear as coisas...

O
 dia seguinte começou trazendo a impressão de que algo não se encaixa. 

Estaremos diante de um Cavalo de Tróia?

Penso que para entender uma crise como a que se instalou no país, deve-se ir além dos áudios e analisar os agentes e forças que a deflagraram e o que cada um tem a ganhar com a queda do Presidente.

Afinal, quem é o delator?

Joesley Batista e seu irmão Wesley, são donos da JBS Friboi, que recentemente foi alvo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e estão sendo investigados em mais quatro Operações, anote aí para não se perder: a Sépsis, Greenfield, Cui Bono e mais recentemente, a Bullish. Ou seja, os “Reis da Carne”, tem muitas explicações a dar à Justiça. As investigações vão do pagamento de propina para a liberação de recursos do fundo de investimentos do FGTS a fraudes em fundos de pensão e irregularidades na produção e comercialização de carnes. Além da sonegação de impostos. A JBS é a segunda maior devedora da Previdência Social, com uma dívida de mais de R$ 2 bilhões.

Ao ver a sua batata assar como a do Marcelo Odebrecht, Joesley viu que não escaparia de pagar uma multa bilionária e, o pior, da prisão. Matreiro, antecipou-se e decidiu oferecer sua delação à Procuradoria Geral da República, desde que ele e seu irmão fossem perdoados de todos os crimes que cometeram. É aí que a gente começa a entender o samba: malandro é malandro, e mané é mané...

Até duas décadas atrás os irmãos Batista eram dois açougueiros de Goiás, cuidando dos açougues que o pai lhes deixou. Não chegaram a concluir o Ensino Médio, mas souberam se cercar de gente influente. Fazem parte daquele grupo de falsos “campeões nacionais” fabricados na era lulopetista, a exemplo do GrupoX de Eike Batista, para quem o caixa do BNDES estava aberto e escancarado. Tornaram-se grandes ao usar o dinheiro do Banco de Fomento para comprar concorrentes. Assim é que, enquanto o pequeno criador, microempresário, agricultor encontrava toda sorte de obstáculos, exigências e dificuldades para conseguir um mísero empréstimo que seria investido no seu humilde negócio, o BNDES investia R$ 8 bilhões em um só ano no conglomerado JBS Friboi, para destruir a concorrência. Com que objetivo? Patrocinar políticos, investir no mercado de ações e engolir pequenos e médios açougues e frigoríficos, monopolizando o setor de alimentos e hipervalorizando suas ações na Bolsa. Nos bastidores, sempre se comentou que os irmãos Batista seriam apenas testas de ferro da família da Silva, cujos sócios ocultos seriam Luis Inácio Lula da Silva e seus filhos. Os Batista não passariam, portanto, de dois laranjas. Se é verdade ou lenda urbana, creio que jamais saberemos. Mas, uma coisa é certa: os irmãos Batista sempre foram unha e carne com o Lula, tendo enriquecido e se tornado bilionários durante o seu Governo de forma nada ortodoxa.

Eles teriam capacidade para tornar a JBS “campeã nacional”?

Como já dito, tiveram a ajuda de pessoas influentes, uma delas foi a de Henrique Meirelles, atual Ministro da Fazenda. Não à toa foi poupado e tenha sido praticamente canonizado na delação de Joesley. Meirelles foi Presidente do Banco Original do grupo JBS por onde passava o dinheiro do BNDES. Tinha carta branca para agir e foi o responsável pela organização e crescimento do conglomerado, e quem abriu o mercado internacional ao grupo. Hoje a JBS possui 50 frigoríficos nos Estados Unidos.

pergunta é por que Meirelles, ex-Presidente do Banco Central e ex-Presidente Mundial do Bank Boston aceitou o convite de Joesley, sendo que seu passe na época vinha sendo disputado por grandes bancos e fundos de investimento.  Parece óbvio que não tenha sido apenas para melhorar a competitividade da empresa. Comenta-se, inclusive, que ele seja um dos sócios do conglomerado JBS Friboi.

Seguindo em frente...

O conteúdo da delação incrimina o Presidente Michel Temer?

Sob o ponto de vista político, o Governo Temer foi atingido de morte. A Procuradoria Geral da República abriu um inquérito por corrupção, obstrução e formação de organização criminosa contra o Presidente da República com base no áudio. Isso é gravíssimo, engessa o Governo e paralisa o país.

Sob o ponto de vista jurídico, o material apresentado não tem força para condená-lo, nem para afastá-lo da Presidência. O áudio que incriminaria Michel Temer não é uma prova lícita nem válida. Primeiro, porque quando foi feito, não havia uma ordem judicial. A ação controlada autorizada pelo Judiciário se deu a posteriori. Portanto, o áudio foi colhido ilicitamente. Segundo, porque conforme matéria amplamente divulgada pela imprensa, peritos judiciais atestam que o áudio é de baixa qualidade e apresenta vários cortes, o que leva a supor possa ter sido editado. Se isso se comprovar, a prova é imprestável, por apresentar vícios. A mera suspeita de ter havido edição no áudio, lhe tira a validade.

A Procuradoria Geral da República já admitiu não haver periciado o material. Aiaiaiai... esqueceu o Sr. Rodrigo Janot que quando se negocia com malandro, todo cuidado é pouco... Aliás, o notável Procurador se esqueceu de outras coisas também, como gravações de telefonemas que ele rejeitou e de inquéritos que ele não abriu num passado bem recente.

Até agora, o que incrimina Michel Temer, é haver recebido um bandido no Palácio do Jaburu à noite e fora da agenda ou de qualquer protocolo. Errou feio e está pagando por isso.

Nossos representantes e agentes públicos têm que aprender a separar a coisa pública da privada.

É comum ver pessoas públicas confraternizando com empresários até no exterior. Não dá para manter intimidade e camaradagem com quem amanhã estará pedindo favores, isenção de impostos, vantagens comerciais, privilégios em procedimentos licitatórios, contratação em obras públicas... Lembremos que o Ministro Teori Zavaski quando faleceu estava no jatinho do dono do Hotel Emiliano, iam passar o final de semana em Paraty. Este era réu em uma ação no STF. É assim que começam as trocas de favores nada republicanas, que evoluem para decisões e leis em causa própria ou de amigos.

Quem se beneficia com a delação de Joesley?

A nossa Constituição sabiamente fala em eleições indiretas no caso da destituição de Michel Temer neste momento. É sabido que em períodos de grande conturbação e instabilidade política, o que salva um país é a Lei Maior. No entanto, partidos políticos querem rasgá-la. É preciso se perguntar: a troco de quê?

Uma PEC que estabelece "diretas já", de autoria do deputado Miro Teixeira, será apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça, na próxima terça-feira, dia 23. Por que a pressa? Qual a necessidade neste momento crítico?

É aqui que o Cavalo de Tróia se materializa. 

Nele está Luís Inácio Lula da Silva, o maior beneficiado com a queda do Temer, unha e carne com Joesley Batista. Não por acaso a esquerda em coro, quer “diretas já”. Não poderia haver nada mais nefasto por ora.

Uma eleição de afogadilho pode alçar novamente ao poder o chefe da organização criminosa, que se ressente de estar perdendo força e acesso ao dinheiro que jorrava das estatais e dos cofres públicos, e de quebra, livrá-lo da condenação quase certeira do Juiz Sergio Moro. Atente-se que uma eleição hoje ainda não contará com o voto impresso, como se pretende para 2018, ficando à mercê da vulnerabilidade das urnas eletrônicas, que não permitem auditoria.

E tem mais. Feito isso, escrevam: as eleições de 2018 serão canceladas. Já há um movimento para se unificar com as de Prefeito e Vereadores, prorrogando o pleito para 2020. Este sim será um golpe contra a República com a consolidação do Foro São Paulo.

Portanto, a mobilização é por DIRETAS NÃO!!! Respeite-se a Constituição!!!

Por que a Rede Globo divulgou com exclusividade os áudios e apoia as “diretas já”?

Com o advento da TV a Cabo, internet, Netflix, Redes Sociais, a Rede Globo foi acumulando prejuízos, queda de audiência e perda de anunciantes.

Vale lembrar que a JBS Friboi é a sua terceira maior anunciante, contando inclusive com a prata da casa na divulgação de seus produtos, como Toni Ramos, Ana Maria Braga e Fátima Bernardes. A emissora de Jacarepaguá depende da JBS para manter a sua programação no ar. Por ocasião da Operação Carne Fraca, a JBS amargou prejuízos, o que também refletiu na emissora. Não foi por outro motivo que em seus telejornais, não poupou críticas veladas e minimizou o problema para desacreditar a Operação da Polícia Federal.

Até onde se sabe, a Globo hoje é uma empresa deficitária, com altos custos e dívidas bilionárias em impostos. Em vários círculos corre a narrativa de que será vendida. Tudo sinaliza para isso: paralisou os investimentos, distribuiu dividendos aos seus acionistas e está saneando o quadro de funcionários. Mas, ela precisa que a lei mude. A lei atual proíbe que empresas de telecomunicação sejam vendidas a grupos estrangeiros, os únicos com cacife e capacidade econômica para comprar uma emissora do porte da Rede Globo.

Ao contribuir para derrubar Michel Temer por meio de uma propaganda subliminar odienta e raivosa, como já fez com Fernando Collor de Mello, cria-se uma possível linha de negociação e coalizão política com o grupo que assumir o poder, para inclusive a mudança da lei. Afinal, tudo é uma via de duas mãos na política. Estamos cansados de ver isso.

Quem lucrou até aqui com a delação?

Aquele que tirou a sorte grande ao incendiar o país foi Joesley Batista. Além da anistia ampla geral e irrestrita por todos os seus crimes, enriqueceu mais ainda com a delação. Um dia antes da divulgação comprou no mercado de câmbio um bilhão de dólares e negociou na Bolsa de Valores as ações de sua empresa, sabedor que no dia seguinte, o dólar subiria e as ações despencariam; em questão de horas fez a operação inversa, faturando assim bilhões no mercado mobiliário, muito mais que a reles multa de R$ 225 milhões, aplicada a ele pelo generoso Rodrigo Janot.

Já quanto à multa de R$ 11 bilhões (valor que equivale a 5,8% do que o grupo faturou em 2016, dinheiro do BNDES, diga-se), arbitrada pelo MPF para fechar o acordo de leniência com a JBS Friboi, não foi aceita, tendo sido oferecido pelo grupo R$ 1 bilhão. Do jeito que a coisa caminha, pode ser que ele acabe pagando o equivalente a um cafezinho, enquanto desfruta da liberdade, sem qualquer culpa ou remorso, e das comodidades de um luxuoso apartamento na 5th Avenue, em Nova Iorque. Apartamento adquirido com o dinheiro do povo brasileiro.

Vê-se, portanto, que a Procuradoria Geral da República inovou ao criar um novo benefício aos delatores: o crime premiado!!! Fique claro que Joesley e seu irmão são cúmplices pelo maior assalto aos cofres do BNDES e Fundos de Pensão na história deste país.

Outro que lucra é Luís Inácio Lula da Silva, uma vez que, a delação de Joesley com a queda de Michel Temer, equivocadamente nivela o PT a todos os demais partidos, como se o nível de responsabilidade pela ruína de um gigante como o Brasil fosse a mesma. NÃO É!!!

Embora a roubalheira e a corrupção, com malas de dinheiro indo de lá pra cá de cá pra lá, sejam “sistêmicas” e hoje façam parte do jogo político e do funcionamento das instituições no Brasil, é preciso não perder de vista quem era o comandante máximo da corrupção, responsável direto pela derrama e lavagem de dinheiro, inclusive a outros países da América Latina e África.

A roubalheira no Brasil é parte de um quadro muito maior. O esquema de propinocracia visa manter os demais partidos quietos e satisfeitos, enquanto o Foro São Paulo avança e um projeto criminoso bolivariano de poder é implantado, tal qual em Cuba e na Venezuela. Um esquema de corrupção desenvolvido para ter o controle das instituições corrompidas, perpetuando o PT e as esquerdas no poder por meio da promoção da escola com partido, destruição da cultura e da família, desprezo à religião e valores religiosos, integração dos Países da América Latina com repúdio aos Estados Unidos e Europa, centralização e enriquecimento ilícito.

É isso que está em jogo neste momento crítico. Chegaremos ao inferno?!?



Nada a temer senão o correr da luta Nada a fazer senão esquecer o medo Abrir o peito a força, numa procura Fugir as armadilhas da mata escura...  

Shadow/Mariasun Montañés  
 
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