domingo, 19 de fevereiro de 2017





O PAÍS DO CARNAVAL É HOJE O PAÍS DA CANA



O Carnaval é considerado por muitos o ópio do povo brasileiro. Quatro dias de folia feitos a medida para as pessoas esquecerem das dores, das mazelas da política e da sua nada mole vida. O entorpecimento tão desejado pelos políticos, avaliam sociólogos, antropólogos e estudiosos.

Ok. Mas qual é o problema das pessoas se desprenderem da dura e áspera realidade por alguns dias para fazer o que bem entenderem? Caírem na folia, descansarem ou meditarem?

Sim, o Brasil é resultado do obscurantismo. Isso a gente já sabe. Mas também é certo que o Carnaval, o BBB ou o futebol, não têm a menor culpa. A escuridão ou a luz dependem da consciência e do coração de cada um, entorpecido ou não pelo lume das falsas promessas e fantasias de uma sociedade “ideal”, condenada à miséria e à ignorância.

A história não é estanque, e nós também não somos graças a Deus! Ela anda e se modifica, e faz as pessoas andarem e se modificarem com ela.

A pirotecnia das escolas de samba do Rio, custeadas pelo crime organizado e a contravenção, por muito tempo foram o símbolo do nosso Carnaval. Varava-se a noite até o amanhecer para ver a última escola desfilar na avenida, anotando e avaliando num pedacinho de papel: harmonia, evolução, bateria, alegorias... até  o dia da apuração chegar, com a torcida sempre fiel para a escola do coração ser a campeã.

Porém, o que deveria ser do povo e para o povo, foi perdendo a sua raiz. É difícil analisar um processo de transformação tão rápido quanto o que transformou um espetáculo popular tão grandioso em um espetáculo midiático produzido para encantar o mundo e os estrangeiros. O charme de escolas tradicionais como a Mangueira e a Portela (ah... minha Portela, quando vi você passar...) foi perdendo o brilho, a espontaneidade, sua tradição e até as suas cores.

Aliás, depois que em 2015, quando o enredo da Beija Flor sobre a Guiné Equatorial, ditadura sanguinária apoiada pelo PT, sagrou-se campeã, ficou muito claro que os desfiles das escolas não representam mais o Carnaval brasileiro. Foi um espetáculo vergonhoso perante o mundo!!! O Carnaval da corrupção e da degradação do samba, uma mancha na história dos carnavais cariocas.

Hoje, os blocos carnavalescos de rua reinam soberanos, multiplicando-se pelas principais capitais e cidades do interior, resgatando a alegria e a folia popular.

A Lava Jato e as redes sociais estão aí, expondo feridas, mentiras, escândalos, corrupção, inconformismo, impunidade num batucar diário sem fim. É quando a realidade desafina e revela toda a sua crueza, mais para a dramaticidade de um tango de Gardel do que para a malevolência de um samba de Noel.

Há muito tempo não se via as pessoas tão desanimadas e descrentes neste país, destilando ódio pelas ventas e uma insatisfação incontida na net, sendo que a brasilidade do brasileiro sempre foi o riso aberto e a irreverência.

E aqui não me refiro a um riso que cega ou a uma irreverência que aliena. Não.

De um jeito sofisticado e perspicaz, o brasileiro consegue tirar sarro, rir de si mesmo, fazer piada e encontrar inspiração na dura realidade e nos sonhos roubados. 

Carnaval hoje rima com impeachment, bandido, desonestidade, impunidade, Luladrão que já é uma rima de corrupção, tudo ali, nas esquinas e em qualquer lugar. O sofrimento nacional marca cada estrofe das marchinhas.

 “Tanto riso ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão”...

O Carnaval mudou. Os palhaços continuam no salão, mas a alegria, ah... essa foi se transformando em ironia cáustica.

No ano passado, nada de arlequins ou colombinas, mas, o japonês da Federal com direito até a um hit que tomou as ruas do país:

“Ih, me dei mal, bateu à minha porta o japonês da Federal”!...

A folia de Momo hoje abre alas para os blocos de rua, com seu componente crítico. A diversão deixou de ser banal para ser catarse. O espírito verde-amarelo se apresenta salpicado de confete e serpentina. Algo que só o brasileiro sabe fazer com deboche e bom humor.

Os pensadores e intelectuais da objetividade, esses ainda acreditam que o Carnaval das lágrimas dos pierrôs, é o ópio do povo. Fazer o quê? Para entender o reinado de Momo é preciso acompanhar a história.

Não tem jeito. O brasileiro tem alma de folião. Por mais que batam à sua porta para lembrá-lo da Quarta-feira de Cinzas e do futuro incerto, ele até poderá, com um ar blasé, fingir que concorda, mas depois irá cair na folia. 

Portanto, é chegada a hora de vestir o short e a camiseta, desligar o computador e colocar o pé na rua ao som das marchinhas. E que marchinhas!!!

Este ano a marchinha que começa a emplacar é a da “CANA”. Não, não aquela cana que é usada para fazer açúcar, mas aquela que representa o lugar onde alguns já estão e outros em breve estarão (se a deusa da Justiça assim o permitir) com uniforme listrado, vendo o sol nascer quadrado:




“É cana pra cá é cana pra lá,
a cana tá moda, mas é bom não enganar;
tem gente poderosa, com fama de bacana,
que vai perder a pose quando entrar em cana...”


Um ótimo CARNAVAL a todos, juízo e.... para quem gosta: boa folia; para quem não gosta: bom descanso!!! 



Shadow/Mariasun Montañés


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sábado, 11 de fevereiro de 2017



A LEI É DURA, MAS É A LEI 


Era uma casa muito engraçada não tinha teto... não tinha nada....

Não sei como expressar meu sentimento neste momento...

Enquanto escrevo os capixabas estão acuados em suas casas há vários dias, vendo com perplexidade das suas janelas: vandalismo, saques, assaltos, homens armados, tiros.
Não, não é ficção, o Estado do Espírito Santo está sitiado. Grupos armados e organizados, vindos sabe-se lá de onde, estão levando o terror às ruas, enquanto a Policia Militar permanece nos batalhões,
A população está presa em suas casas e os bandidos à solta. Vitória, a bela capital capixaba, mais parece uma cidade abandonada do velho oeste: ruas vazias; escolas, postos de saúde, bancos e o intenso comércio, fechados; as pessoas parecem haver sido abduzidas.
Um absurdo. Mais um!!! Aliás, o Brasil é o país dos absurdos. A Lava Jato escancarou isso à queima roupa para todos nós. Ao longo de décadas fomos sacaneados pelos representantes que elegemos. Fomos roubados. O país foi privatizado para a Odebrecht.  Nenhum contrato ou obra era realizado sem passar por essa famigerada empresa, movida a propina para engordar corruptos e malfeitores, em detrimento de escolas, hospitais, moradias e o bem estar dos brasileiros. Enquanto o povo agonizava, empresários donos de empresas de fachada, de petróleo inexistente, eram apresentados pela Presidente da República como: "Orgulho do Brasil". Era o padrão Eikeano de governo.
Uma realidade cruel e silenciosa jamais vista em qualquer outra parte do mundo.
Como deixamos isso acontecer?!? É a pergunta que fica entalada na garganta.
A vida pública brasileira é uma vergonha, as instituições estão falidas e os direitos dos cidadãos estão sendo subvertidos. Ao longo dos anos o Estado foi sendo corroído e corrompido, alimentado pelo nosso silencio e comodismo. Essa é a realidade.
Não dá mais para aceitar esse estado de coisas passivamente, sem se sentir indignado. “No Brasil é assim mesmo”, “Não tem jeito”, “Daqui pra frente só vai piorar”, são respostas erradas. O Brasil nos pertence. É inaceitável que em seu território haja lugares onde os cidadãos comuns e até a polícia não entrem. É inaceitável que Alcaçuz seja terra de ninguém. É inaceitável que viciados se droguem a luz do dia na Cracolandia, no centro de São Paulo, como se isso fosse natural. É inaceitável que ao parar num semáforo, você seja assaltado a mão armada. É inaceitável que as pessoas não possam exercer o seu direito de ir e vir na cidade em que moram. É inaceitável que apesar do que a Lava Jato apurou e investigou os políticos brasileiros ainda ajam na calada da noite para conchavar, blindar os corruptos e tripudiar sobre os interesses do povo.
Essa casa, a nossa casa, que é o Estado brasileiro, além de não ter teto, está caindo e sendo carcomida pelos ratos que se apossaram dela.
Onde foi parar a honestidade e a conduta ilibada das autoridades deste país???
Será que não veem que quando o poder se corrompe, o poder paralelo se estabelece??? É preciso mudar os padrões de moralidade na vida pública, senão sucumbiremos, e o que vimos em Alcaçuz ou o que estamos vendo no Espírito Santo será apenas o começo.

O importante neste momento é exigir a aplicação da lei. “Dur a lex, sed lex”; a lei é dura, mas é a lei. Tolerância zero para a criminalidade. Tolerância zero para a corrupção, corruptos e corruptores. Tolerância zero para a turma dos direitos humanos e sua política paternalista com os bandidos. Tolerância zero para aqueles que não fazem jus à farda que vestem. A impunidade gera o caos. Pequenos delitos geram crimes maiores. A indulgência gera a transgressão. Políticos corruptos geram a pobreza, a ruína e a desesperança de uma Nação.
É preciso acabar com a inversão de valores neste país. É preciso respeitar o conceito de família, sim, é nela que começa a formação do cidadão. É preciso proteger direitos fundamentais como o direito à vida e à religião, ao invés de banalizá-los. É preciso acabar com a doutrinação ideológica nas escolas e Universidades, o indivíduo deve aprender a pensar por si.
O poder deve ser exercido para proteger o cidadão e a lei para ser cumprida. Simples assim.

Alguns parasitas, sociólogos e a imprensa esquerdopata demonizam a polícia militar. Criticam sua atuação ostensiva, acendem vela pra bandido, apedrejam as políticas de Segurança Pública e propagam o enfraquecimento bélico da população. O resultado disso??? Está lá no Espírito Santo.
Sabem por que o comunismo acaba com os batedores de carteira? Porque antes eles acabam com as carteiras.
Ainda dá tempo de refazer o telhado antes que a casa caia.
Nesta semana li que uma aluna de escola pública passou em primeiro lugar no curso de Medicina em Ribeirão Preto. A manchete era: negra e pobre em primeiro lugar na Medicina da USP”. E pra piorar, ela própria dizia na entrevista: “A casa-grande pira quando a senzala vira médica”. Coitada!!! Que visão estreita e tacanha tem de si mesma!!! Ela passou em primeiro lugar porque ao invés de ficar na rua, estudou; porque ao invés de se vitimizar, acreditou no seu potencial.
Para que haja mudanças é preciso acabar com discursos como esse implantados por sociólogos de esquerda que esculhambam com o negro, associando-o a pobre, coitadinho, vítima da sociedade; menosprezam a mulher, associando-a a uma figura frágil, dependente do marido, incapaz de competir com o homem de igual para igual; que fomentam a divisão regional, como se o sul rivalizasse com o norte. Isso nada mais é que do que a reprodução de uma ideologia, para fomentar o ódio e a divisão social. Discurso raso de quem quer lucrar com a queda do telhado. Isso é tão forte que as pessoas acabam introjetando essas asnices como verdades absolutas. É o caso da estudante de Medicina, que em momento algum associou o seu sucesso à sua capacidade e esforço, mas à senzala chegando na casa-grande.
Somos massa de manobra daqueles que querem perpetuar-se no poder. Para eles quanto maior o caos, melhor.
Até o momento o número de pessoas assassinadas no Espírito Santo, em menos de uma semana, já passa de 100. A população com medo enfrenta longas filas nos poucos mercados abertos em busca de mantimentos. Não. Não estamos falando da Síria. Estamos falando do Brasil.
Chega!!!!
O Exército nas ruas não é a solução, ele não existe para apagar incêndios domésticos, existe para cuidar e defender as nossas fronteiras de invasões, do tráfico de drogas e armas. A Guarda Nacional não pode substituir a Policia Militar, até mesmo porque é uma força paramilitar do PT. O Governador do Espírito Santo e o Governo Federal, ou qualquer outro Estado, não podem sucumbir a isso. Faça-se cumprir a lei. Apenas isso.

“Há aqueles cuja principal habilidade é fazer girar as rodas da manipulação. É a sua segunda pele, e se estas rodas param de girar, eles simplesmente não sabem o que fazer”. (C.JoyBell C.)



"Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes" (Abraham Lincoln)


Shadow/Mariasun Montañés

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017



SÃO PAULO 463 ANOS E O SEU RENASCIMENTO EM 2017


É inevitável olhar para o alto e não se admirar com os arranha-céus que parecem surgir do asfalto. Ou ignorar o ruído dos motores de carros e motos e o trânsito caótico nas diferentes artérias que cortam a cidade de cima a baixo. Ou sentir um sobressalto quando alguém se aproxima, mesmo que seja para pedir uma informação.

O fôlego dos paulistanos parece não ter fim. Andam sempre apressados pelas ruas e avenidas, numa velocidade crônica e ansiosa, como se o tempo lhes fosse faltar. Vão a caminho do trabalho, da escola, da universidade num ir e vir constante, de uma cidade que pulsa e não para de movimentar-se e de crescer.

Lembro que quando era criança, a cidade me fascinava por sua grandeza. Ficava imaginando se no Edifício Itália não haveria uma porta que ao ser aberta, permitiria que se chegasse ao céu.


Céu ao qual era possível se transportar ao entrar na imponente Catedral da Sé, o marco zero de São Paulo. Que maravilha construída em estilo neogótico!!!. Por mais que o tempo passe, não me canso de admirá-la!!!
Faz jus à grandiosidade da cidade e o badalar de seus sessenta sinos parece sempre ser um chamado para a oração e a reflexão. Ainda hoje, não consigo passar em frente sem entrar para fazer uma prece. 

Na minha infância, o ritmo da cidade não era tão acelerado, ao menos que eu me lembre. Havia sobriedade e cuidado com a coisa pública. 

Uma das lembranças mais ternas que guardo daquela época são as tardes de domingo com meus pais nos cinemas do centro para assistir aos últimos lançamentos da Disney e o costumeiro passeio pela Praça da República para ficar observando os peixinhos dourados no lago da praça (sim, havia peixinho dourados ali) e o pipoqueiro que com um sorriso maroto sempre enchia o pacotinho de pipoca um pouco mais, fazendo-o transbordar. Ah... o sabor e o cheirinho daquela pipoca, eram únicos!!!


Perto dali as lojas Mappin em frente ao Teatro Municipal e ao Viaduto do Chá. No mês de dezembro passar por lá era roteiro obrigatório, afinal  aquele era o endereço do verdadeiro Papai Noel. Sim, Papai Noel pra mim era paulistano e poderia ser encontrado pelas crianças na entrada do Mappin. A expectativa para encontrá-lo era de tirar o fôlego e o Viaduto do Chá, suspenso sobre a avenida e emoldurado por imponentes ferragens, parecia haver sido forjado especialmente para conduzir os pequeninos que acreditavam com fé no bom velhinho de barbas brancas.


Entrar pela primeira vez no Teatro Municipal para ver uma apresentação do balé de São Paulo foi algo memorável. Mármore, bronzes, colunas neoclássicas, vitrais, mosaicos, a sensação era a de estar atravessando um portal para o início do séc. XX, sentindo o glamour das sinhazinhas e da elite cafeeira que um dia por lá passou. 

Na adolescência e durante a universidade, os interesses mudaram. Comecei a explorar a cidade por mim mesma e em tribo, à medida que o metrô e os shoppings iam chegando trazendo facilidades e novas formas de lazer.

O cine Belas Artes próximo à Avenida Paulista passou a ser o ponto de encontro com os amigos, e ali a gente ficava, discutindo sobre a arte de vanguarda como forma de mudar o mundo. Quem nunca...

Próximo dali, um outro point alternativo era o MASP com exposições dos principais artistas na arte da escultura, pintura e xilogravura contemporânea e o Parque do Trianon, um convite para estar em contato com a natureza, a reflexão e a meditação. Houve uma época que naquelas árvores frondosas havia bichos-preguiça. Caminhar por lá era ter a sensação de estar sendo observado por seres elementais da natureza. Hoje, ao passear com o meu cachorro entre aquelas árvores e canteiros, ainda penso neles ao sentir a brisa ou o farfalhar das folhas.

O tempo passou e chegou o momento de apresentar a cidade ao meu filho. Lembro da sua vibração e espanto ao entrar no Zoo Safári e ver os animais da selva e dos livros tão pertinho da gente; das primeiras pedaladas e quedas da bicicleta no Parque do Ibirapuera e, do olhar de admiração ao ir pela primeira vez ao Planetário. Não é pra menos, ali nos sentimos fazendo parte do Universo e de algo muito maior. Recordo que quando era criança olhava para o céu à espera do anoitecer para ver a estrela da minha fada piscar pra mim. Creio que deveríamos olhar mais para o céu.

Rapidamente ele, meu filho, aprendeu o caminho para o Centro Cultural Vergueiro e assim passou a usufruir do acervo de livros, exposições, apresentações de música e teatro. Não chega a ser um point. O point dele e de seus amigos são os shoppings ou as disputas de futebol no Parque do Ibirapuera.

A cidade para ele não tem o mesmo encantamento que tinha e ainda tem para mim.

Está crescendo vendo nos jornais e na televisão uma cidade retratada pela violência, sendo orientado a se cuidar e a adotar medidas de segurança: não ande na rua com o celular na mão, não entre no metrô após as 22h00 pegue o UBER, não calce tênis de marca se for ao centro... As praças estão desaparecendo por trás do mato que cresce, tornando-se esconderijo para bandidos e viciados. As pontes e viadutos estão pichados e abrigando sob suas marquises mendigos e desocupados. Eu e ele deixamos de ir à Sala São Paulo, com aquela acústica primorosa e exuberante a cada apresentação sinfônica, por estar na estação Júlio Prestes, próxima à cracolândia.

Quando o governo e a mídia passaram a tratar pichação como “arte”, e, não como o lixo e delito que é (me refiro à pichação, sei diferenciar do grafite); ao tolerar a invasão de prédios públicos e escolas como um direito, e não como um crime; ao autorizar movimentos sociais como o MTST, UNE, CUT a depredar a propriedade privada, obstruir vias e incendiar ônibus, ao invés de reprimi-los; ao permitir o consumo de drogas ao ar livre e à vista de todos como algo natural (cracolândia), em lugar de tratar o assunto com a seriedade e gravidade que merece, São Paulo foi se deteriorando, enfeando e sucumbindo.

Por trás dessa política torpe da tolerância e da transgressão está a subversão de valores fundamentais, a supressão de direitos legítimos, a destruição do belo e da história da cidade, fazendo prosperar o caos, a anarquia e o crime.

Neste 25 de janeiro de 2017, olho para São Paulo da minha janela. Logo ali a Avenida Paulista tomada por bicicletas, pessoas caminhando sós, em grupo ou na companhia de seus cães. Hoje ela completa 463 anos.

O sentimento é o mesmo que trago da minha infância: encantamento e fascínio, aditivado pela esperança que a atual gestão começa a alimentar naqueles que amam esta cidade.

Em outubro do ano passado, quando fui ao Colégio Objetivo votar em João Doria, jamais imaginei que em menos de um mês, ele pudesse dar uma nova cara a São Paulo.


Com criatividade, ousadia e investindo nas parcerias o atual prefeito fez andar a fila daqueles que esperavam há anos por exames clínicos; começou a olhar para a necessidade de se cuidar de parques, estátuas, monumentos, praças, avenidas e para a instalação de banheiros públicos; podou árvores, limpou bueiros, recolheu 15 toneladas de lixo; está enxugando a Prefeitura cortando gastos desnecessários com pessoal e mordomias, como carros oficiais à disposição de servidores, arregaçando as mangas e limpando literalmente a cidade. 

Quando o atual prefeito, João Doria, se veste de gari, pega nas tintas para pintar o túnel da Nove de Julho, senta numa cadeira de rodas para testar as calçadas da cidade, faz mais que uma ação de marketing; está ilustrando que com vontade e determinação é possível realizar mudanças, está dando o exemplo, mostrando como se faz, incentivando os paulistanos a cuidarem do que é seu; está motivando centenas de fiscais a zelarem por seus muros, praças, monumentos, viadutos, por sua cidade. Cidade limpa, povo educado!!! Esse é o lema!!! É o resgate da sobriedade e da austeridade para uma São Paulo tão maltratada e esquecida nos últimos tempos.


Assim é que se administra e se cuida de uma metrópole: com disciplina, ordem e respeito à lei. Tolerância zero para os pichadores e aqueles que enfeiam, danificam o patrimônio público e depredam a cidade.

Espero, em breve, poder voltar a frequentar a Sala São Paulo, a passear pelos parques onde os seres elementais possam nos observar e o nosso olhar se deter nas árvores e nos jardins e, não no lixo; que as crianças possam nutrir e sentir o mesmo fascínio de quando eu olhava para o alto e imaginava que para além do Terraço Itália somente poderia haver o céu... acompanhar a partir de agora cada passo do renascimento desta bela e grandiosa cidade, tal qual uma Fênix.

PARABÉNS SÃO PAULO!!!





Shadow/Mariasun Montañés



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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016




DOMINGO DE CHAPECOENSE CAMPEÃ E DE POVO BRASILEIRO CONTRA A CORRUPÇÃO



Pensar no futebol como sendo um meio transformador, que ultrapasse os limites do campo de futebol para mudar as pessoas, é algo que nos parece utópico e distante demais.

As transformações decorrem da cultura, da educação e até das manifestações do povo nas ruas, afirmam os especialistas.

No entanto, o triste acidente aéreo com a Chapecoense e a perda irreparável de praticamente todo o time, dirigentes, jornalistas; a acolhida comovente de nossos irmãos colombianos aos que partiram; as manifestações de carinho aos brasileiros, vindas de todas as partes do mundo; as homenagens nos campos de futebol reverenciando os jogadores da Chape; a iniciativa do Atlético Nacional de entregar o título de Campeão Sul-Americano à Chapecoense, é o testemunho de que o esporte pode ser um agente transformador e catalisador de amor e união. "Él fútbol no tiene fronteras", dizia a faixa estendida no Estádio Atanasio Giradort. Na verdade, aprendemos que a solidariedade não tem fronteiras.

Num momento tão difícil como o que o Brasil vive hoje, com o total descrédito na classe política e o espírito exacerbado de boa parte da população, às vezes até de ódio incontido, essa corrente de amor que se formou em torno da tragédia, paradoxalmente, foi um alento para os brasileiros. De repente, percebemos que não estamos sós e que a descrença pode dar passagem para a esperança, a dor pode se sentir agasalhada pelo amor e o luto pode ser amparado pelo manto da comunhão.

Até recentemente seria impensável imaginar o encontro das quatro maiores torcidas organizadas de São Paulo em frente ao Estádio do Pacaembu sem se digladiarem, xingarem, cuspirem, estapearem, desdenharem... pois ontem, isso foi possível. Lá estavam elas reunidas, confraternizando no mesmo espaço, para homenagear as vítimas do acidente: São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos.

Quando o país luta para ser ouvido e deposita seu último alento e resto de confiança na Operação Lava Jato, conduzida pelo juiz Sergio Moro e sua Força Tarefa e se depara com o descaso e escárnio dos políticos, a tragédia inesperada com o voo da LaMia nos faz meditar em silêncio sobre a nossa finitude e o legado que queremos deixar para as gerações futuras. Isso nos coloca diante de uma nova perspectiva, mais ampla e transformadora.

Neste domingo, mais uma vez, os brasileiros foram às ruas em repúdio às alterações feitas pela Câmara dos Deputados ao projeto de lei das Dez Medidas Contra a Corrupção que contava com a assinatura de 2,4 milhões de pessoas. Um sentimento de indignação e traição se espalhou por todo o país, resultado da indiferença e do descaso de deputados e senadores para com o povo. Contrapondo-se a isso,  nos deparamos com a “não indiferença” e demonstrações de afeto do mundo aos brasileiros diante do acidente aéreo. Um bálsamo que aquietou e aqueceu os corações indignados. Essas mensagens de solidariedade tiveram o efeito de amenizar a dor pela perda e de nos fortalecer na luta pelo reconhecimento.

Reconhecimento que buscamos no dia a dia, pois na vida somos muito mais Chape do que Flamengo, São Paulo, Barça, Arsenal... Vivemos de sonhos. Estabelecemos metas para alcançar vitórias que ainda não temos, e que muitas vezes parecem ser muito maiores que nós. Lutamos pela vida como a Chapecoense lutava pelo seu primeiro título internacional. Buscamos ser valorizados. Diante de qualquer pequena conquista festejamos e saímos para comemorar com os amigos, como se fosse a maior conquista do mundo... É... Chape somos nós... Talvez por isso as mensagens de carinho vindas de todos os lugares tenham sido tão emblemáticas e reconfortantes. É como se o mundo nos dissesse: - Vocês são campeões!!! - Vamos vamos Chape...

É possível que esse seja o efeito dominó de que tanto se fala: uma peça cai tocando a outra, que cai tocando a outra,... até que ao final todas juntas acabam formando um único desenho.

A verdade é que o amor e a solidariedade de cada pessoa tem o dom transformador sobre a outra.


Foi esse o sentimento quando o Atlético Nacional abriu mão do título para entregá-lo à Chapecoense. Um gesto nobre, ético, que nos faz lembrar o que é o espírito esportivo. Eles não se importaram em ter mais um título em sua bem sucedida história de conquistas ou no substancioso prêmio que é dado em dinheiro ao clube campeão. Tiveram fair play, honraram a camisa do time e o seu país, e com isso valorizaram todas as vitórias que tiveram até aqui. Mostraram ao mundo que glória e triunfo podem transcender aos campos de futebol. Isso é transformador.

No momento em que a torcida do Atlético Nacional da Colômbia, vestida de branco, lotou o Estádio Atanásio Girardot para homenagear a Chapecoense no horário marcado para o jogo, e que outras milhares de pessoas estavam nas ruas em tributo e respeito pelos que se foram, isso nos comoveu e choramos junto.

O esforço do povo colombiano para partilhar a perda e confortar as famílias, amigos e todo um país, nos irmanou para sempre. Sim, fazemos parte de um todo, o que acontece aqui, repercute no universo. Nosso viver é descobrir que não estamos sós, estamos todos irmanados, e que carregamos em nós o ontem, o hoje e o amanhã. O acolhimento do povo colombiano aos nossos campeões até a volta pra casa calou fundo em todos nós, nós que andávamos tão descrentes diante da corrupção, do desemprego, da recessão, da falta de perspectiva que assolou o país nos últimos tempos.

Sábado, 03/12/2016, foi o dia da volta pra casa... Não era como esperavam voltar, mas a chegada foi emblemática e dificilmente será esquecida. Uma chuva densa e incessante os recebeu. A cidade de Chapecó, ainda incrédula, ocupou as ruas e avenidas para num último abraço, se despedir daqueles jovens vitoriosos cheios de sonhos. Dizem que a água simboliza uma nova vida. Talvez, a chuva tenha sido a forma que Deus encontrou de nos dizer que eles estão bem, iniciando uma nova jornada logo ali, no outro lado do caminho.

Alguns deles foram enterrados neste domingo, ao tempo em que as manifestações contra a corrupção se espalhavam pelo país....

A dor, a perda, o luto, fazem parte da vida; assim como a luta, o inconformismo, as escolhas fazem parte das mudanças. Seguir em frente é preciso....

Carlos Drummond de Andrade, escreveu:

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo... Porque somos do tamanho daquilo que vemos, e não do tamanho da nossa altura...”.
O sonho da Chape era conquistar a América, acabou conquistando o mundo. Que o Deus misericordioso ampare as famílias e amigos. E que em breve a história continue a ser contada... pois tudo é renovação nesta vida.

O sonho dos brasileiros é acabar com a corrupção e ver seu país crescer, seu desejo foi levado às ruas.

Ao final, todos sabemos que nada mais será como antes amanhã ou depois de amanhã....





Shadow/Mariasun Montañés



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